No último domingo (04), o primeiro turno das eleições presidenciais terminou com 56.104.503 votos (47,03%) para Flávio Bolsonaro (PL), contra 53.879.538 votos (45,16%) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Assim, a disputa parte para um segundo turno, previsto para o dia 25 de outubro. Uma semana após o resultado das urnas contrariar o que as pesquisas eleitorais vinham indicando (Lula à frente de Flávio), muita coisa aconteceu. Ambos os candidatos discursaram, líderes internacionais se pronunciaram e partidos e oponentes da 3ª via começaram as movimentações políticas.
O Brasilianista traz agora um resumo do que foi destaque nesta última semana para você não perder nada.
Discursos
Logo após a apuração das urnas, ambos os candidatos se pronunciaram. Flávio comemorou o que chamou de "o fim da era do PT" e fez questão de efantizar: "Foi por muito pouco, mas eu fiquei muito feliz com a quantidade de brasileiros que foram às urnas para se manifestar".
Ele ainda acrescentou: "Eu estou muito feliz com a possibilidade real de, daqui a três semanas, o Brasil dar uma resposta definitiva, que é um governo moderno, com menos ministérios, que vai resgatar a democracia, que vai indicar pelo menos quatro ministros para o Supremo Tribunal Federal, que não vai tentar interferir em eleições".
O candidato do PL ainda afirmou que fará uma "campanha limpa" no segundo turno e destacou que tem como objetivo cuidar do Brasil e dos brasileiros.
Por sua vez, Lula se mostrou surpreso com o resultado: "O resultado muitas vezes é inesperado, a gente nunca consegue tudo aquilo que a gente queria. Confesso que estava convencido de que ia ganhar as eleições em primeiro turno".
Na fala, ele ainda atacou a "biografia de Flávio", classificando de "tenebrosa, com suspeitas, relação com milicianos, com o crime organizado, com assassinatos no Rio de Janeiro e com participação na questão do Banco Master".
Por fim, ele disse que "o jogo vai começar" e estaríamos na "prorrogação".
Repercussão internacional
A BBC foi singela com o título: "Eleição no Brasil vai para o segundo turno após vitória do candidato de direita Flávio Bolsonaro no primeiro turno", já o Washington Post avaliou a dianteira do PL como "preparando o terreno para uma espécie de revanche".
O El País destacou: "Bolsonaro vence Lula no primeiro turno das eleições e fica perto de levar a ultradireita de volta ao poder no Brasil", reforçando a onda da direita na América Latina.
O Deutsche Welle, jornal alemão, ainda mencionou a "onda da direita" no Brasil também nas eleições para deputados estaduais, federais e senadores.
Já o Clarín afirmou a vitória de Flávio como "reviravolta surpreendente e dramática". O portal The Guardian também destacou a surpresa com a vitória do PL, afirmando que Flávio teve um desempenho acima do esperado.
O Financial Times destacou que Flávio estaria na "pole position" (expressão da Fórmula 1, do 1º colocado para a largada) para ganhar as eleições.
Vale pontuar também que Donald Trump, presidente norte-americano que já se mostrou mais próximo a Flávio do que Lula, fez um singelo comentário ao deixar a Casa Branca na segunda-feira. Ele disse: "Bem, é uma grande vitória — apertada, mas uma vitória muito grande. Incrível, na verdade".
Reação do mercado
Como mostramos nesta matéria de O Brasilianista, o mercado amanheceu segunda-feira (05) "alegre", após o resultado do 1º turno. Entre as mudanças, destacam-se a queda do euro em mais de 5%; a redução do dólar em mais de 4%; o crescimento do Ibovespa de 9%...
Ao longo da semana, o risco-país caiu para o menor nível desde fevereiro de 2020, ficando mais próximo do grau de investimento.
Para Rafael Richter, economista e pesquisador, mestre em Economia pela Universidade de Brasília (UnB), com MBA em Ciência de Dados, a principal explicação para essa reação tão positiva do mercado está nas contas públicas: "Uma parcela dos investidores entende que um eventual governo Flávio teria maior disposição para conter despesas, rever a atual regra fiscal, reduzir a intervenção do Estado e promover reformas ambiciosas".
Porém, apesar dos indicadores financeiros indicarem uma preferência por Flávio neste momento, Débora Bizarria, economista formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Coordenadora de Políticas Públicas do Livres, faz questão de enfatizar: "Essa preferência não equivale a uma aprovação antecipada de tudo o que Flávio possa fazer: os preços poderão mudar conforme suas propostas, sua equipe e suas alianças se tornarem mais conhecidas".
Quem apoia quem
Podemos, União Brasil, Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Republicanos já declararam apoio a Flávio Bolsonaro. O mesmo foi feito pelos outros oponentes de 3ª via que não chegaram ao segundo turno: Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo).
O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido Comunista Brasileiro (PCB), e o Unidade Popular (UP) declararam apoio a Lula. Até o momento, Renan Santos (Missão) não oficializou publicamente apoio a nenhum candidato.
Debate cancelado
O primeiro debate dos presidenciáveis após o primeiro turno estava marcado para este domingo (11) e seria transmitido pela Record.
Na última sexta-feira (09), a emissora cancelou o debate ao alegar incompatibilidade de agendas dos dois candidatos.
Lula e Flávio afirmaram que pretendem participar de debates até o segundo turno. Veja o calendário:
- SBT: 15 de outubro;
- Band/Estadão: 18 de outubro;
- Globo: 23 de outubro.
Vale lembrar que a sabatina de Lula da Globo acontece no mesmo dia do debate do SBT. Até o momento, não houve cancelamento de nenhum desses eventos.
Flávio, por sua vez, participa de sabatina da Globo no dia 16 de outubro.
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