Documentos arquivados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mostram que o fundo Termópilas, principal acionista da Super Empreendimentos e Participações SA — empresa de R$ 2,6 bilhões ligada a Daniel Vorcaro —, fez uma assembleia extraordinária um dia antes da prisão do dono do Banco Master. As informações são da Folha de S.Paulo.
A reunião foi feita em 16 de novembro de 2025, às 15h, de forma remota. O encontro serviu para aprovar ajustes no regulamento do fundo. As mudanças trataram de amortização ou resgate total, além da definição de quóruns para tais decisões.
Embora a ata confirme a mudança nas regras de pagamento aos cotistas, não é possível confirmar se houve retirada efetiva de recursos. As demonstrações financeiras do Termópilas não foram atualizadas no site da CVM.
Além disso, o fundo Astralo 95, que detém o Termópilas e possui patrimônio de R$ 27 bilhões, solicitou a omissão da identificação de seus ativos para o público em geral por até 90 dias — a medida é prevista em lei.
A Super Empreendimentos é dona de uma mansão de R$ 36 milhões localizada em Brasília. A residência foi usada por Vorcaro para receber políticos. Em 2024, a empresa também doou um apartamento de R$ 4,4 milhões a uma pessoa citada numa investigação de 2022 sobre tráfico de drogas.
O Termópilas é administrado pela Reag, administradora de fundos de investimento investigada na Operação Carbono Oculto, que apura como o PCC usa postos de gasolina e o mercado financeiro para lavar dinheiro. A Reag também é citada no Caso Master por supostamente ter participado de fraudes contra o sistema financeiro.
A Carbono Oculto esbarrra novamente em Vorcaro porque a defesa do banqueiro tentou, sem sucesso, que a Justiça de São Paulo e a Justiça Federal enviassem a investigação ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. As informações também são da Folha de S.Paulo.
Como Toffoli é o relator do Caso Master no STF, a defesa do banqueiro argumentou que qualquer menção ao Banco Master ou a Vorcaro garantiria o encaminhamento do caso ao STF.
O Brasilianista já mostrou que o Banco Master é investigado por suspeita de vender títulos podres, inclusive ao BRB, e camuflar um rombo de R$ 12 bilhões com manobras contábeis envolvendo fundos públicos de pensionistas.


